quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto
E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro"

(Fernando Mendes/José Wilson/Lucas)

talvez se eu entrar em ti eu me sinta e te sinta em mim, talvez se eu me transformar em ti, nem que seja por um segundo, eu consiga saber o que é a eterna felicidade.

(L.B.)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"Hoje acordei com sono e sem vontade de acordar
meu amor foi embora e só deixou pra mim
um bilhetinho todo azul com seus garranchos."
(Cazuza)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Samba da Bênção

"Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza...
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão..."


(Vinícius de Moraes)



Há certas melodias que falam por si só, faces que cantam por si só.
Menina você é mais que linda, bem meu.
(L.M.)

sábado, 6 de dezembro de 2008

Bom dia

"Na frente do espelho sem que ninguém a visse
Miss, linda, feia
Lindonéia desaparecia
Despedaçados, atropelados
Cachorros mortos nas ruas
Policiais vigiando
O sol batendo nas frutas
sangrando
Ai, meu amor a solidão vai me matar de dor
Lindonéia, cor parda
Fruta na feira
Lindonéia solteira
Lindonéia, domingo, segunda-feira
Lindonéia desaparecida
Na igreja, no andor
Lindonéia desaparecida
Na preguiça, no progresso
Lindonéia desaparecida
Nas paradas de sucesso
Ai, meu amor a solidão vai me matar de dor
No avesso do espelho
Mas desaparecida
Ela aparece na fotografia
Do outro lado da vida"


(Fernanda Takai)




Sua voz cantando aos meus ouvidos. E um bom dia pra você também! Bom dia, belo dia Lindonéia.

(L.M.)

terça-feira, 14 de outubro de 2008

De Drummond a Lispector

"Clarice,
veio em um mistério, partiu para outro.
Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essêncial,
era Clarice viajando nele.
Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem.
O que Clarice disse, o que Clarice
viveu por nós em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia um barata
ou um anjo?)
não sabemos repetir nem invetar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.
Clarice não foi um lugar-comum,
carteira de indentidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.
O mais puro retrato de Clarice
só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe mais.
De Clarice guardamos gestos. Gestos,
tentativas de Clarice sair de CLarice
para ser igual a nós todos
em cortesia, cuidados, providências.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.
Dentro dela
o que havia de salões, escadarias,
tetos fosoforescentes, longos estepes
zimbórios, pontes do Recife em bruma envoltas,
formava um país, o país onde Clarice
vivia, só e ardente, construindo fábulas.
Não podíamos reter CLarice em nosso chão
salpicado de compromissos. Os papéis,
os cumprimentos falavam em agora,
edições, possivéis coquetéis
à beira do abismo.
Levitando acima do abismo Clarice riscava
um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.
Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice."
(Carlos Drummond de Andrade)





*Quando o avião passou. Um gesto.*